09/02/2016

Filme: "Os Oito Odiados (2015)"

"Tem lugar para mais um?"

Muitos afirmam que "The Hateful Eight" é o melhor filme do diretor Quentin Tarantino, outros tantos dizem que é o seu pior, e eu digo que gostar de um filme é algo bem pessoal. Em alguns momentos fiquei entediada com os diálogos (normal em filmes que tem muita falação), mas o saldo geral foi positivo, chegando até a quebrar algumas expectativas.

Vivemos uma Era em que os blockbusters lotam salas de cinema, trazendo roteiros labirínticos, com efeitos mirabolantes e incontáveis cenários, e vem Tarantino com uma trama gravada em praticamente um único cenário ao melhor estilo anos 50 de Hitchcock. É cinema à moda antiga, difícil não apreciar. Lançado mundialmente em 2015, o filme recebeu indicações ao Oscar 2016 nas categorias de Melhor Fotografia e Melhor Atriz Coadjuvante. Venceu como Melhor Trilha Sonora.

Estamos no Wyoming do pós guerra civil, no norte gelado do oeste americano. O carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro.
No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro.
Também se junta a eles um ex-membro de gangue sulista que jura ser o novo xerife da cidade cidade adiante. O grupo acaba sendo surpreendido por uma nevasca e decide se hospedar numa pequena pousada no meio da estrada.
Misteriosamente, os donos não estão e o lugar está ocupado por outros quatro homens: Bob (Demian Bichir), Oswaldo Mobray (Tim Roth), Joe Gage (Michael Madsen) e o general Sandy Smithers (Bruce Dern).
Como a nevasca se agrava, os oito, juntamente com o cocheiro O.B. (James Sparks) concordam em passar as próximas horas juntos, confinados numa sala fechada como uma panela de pressão. Aos poucos, eles começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.
Segundo o próprio Tarantino, "Os Oito Odiados" foi inspirado em "O Enigma do Outro Mundo" (1982), onde buscou o nível de tensão e paranoia necessários a estes personagens. Assim como no filme de John Carpenter, ninguém é confiável.
"Os Oito Odiados" é um confronto de conversas claustrofóbicas dentro de uma textura teatral. São 187 minutos de falas marcantes, cenas silenciosas e muita violência. Outra questão a considerar é a forma como Tarantino aborda a violência e os conflitos raciais neste filme em particular. Recentemente, o diretor participou de manifestações contra a truculência da polícia norte-americana, especialmente contra a população negra, e recebeu, em troca, ameaças de boicote  por parte dos policiais.
Quentin Tarantino
Com um cenário belíssimo e assustadoramente congelante, roteiro bem amarrado, direção competente, atuações dignas de premiações, diálogos inteligentes e trilha sonora inesquecível de Ennio Morricone nos fazendo recordar o gênero western spaghett de Sergio Leone. 
Enfim, "Os Oito Odiados" parece uma peça de teatro aberta ao público. Nos sentimos na plateia vendo e ouvindo o desenrolar da história que lembra o estilo Agatha Christie onde temos que adivinhar quais as verdadeiras intenções de cada personagem que surge na medida que o filme avança. Gostei e recomendo apenas para os fortes.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 187 minutos
Categorias: Faroeste, Thriller, Mistério, Drama
Classificação: 18 anos
Minha Nota: 9,2

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